sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Brasil

Vício em bets faz busca por tratamento de saúde mental crescer mais de 600%, diz Ministério da Saúde

Vício em bets faz busca por tratamento de saúde mental crescer mais de 600%, diz Ministério da Saúde

A busca por tratamento para problemas relacionados ao vício em bets cresceu mais de 600% no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde. Diante do avanço da ludopatia no país, a pasta anunciou uma estratégia de busca ativa para identificar pessoas afetadas pelas apostas e ampliar o acompanhamento em saúde mental.

Ministério da Saúde registrou aumento na procura por tratamento relacionado ao vício em bets no SUS

Ministério da Saúde registrou aumento na procura por tratamento relacionado ao vício em bets no SUS


O tema ganhou destaque após o governo federal editar uma Medida Provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o encerramento das plataformas não elimina os efeitos já provocados pela dependência em jogos.

Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. A projeção apresentada pela pasta é de aumento de outros 104% até 2028.

Vício em bets aumenta demanda por atendimento no SUS

O Ministério da Saúde afirma que os impactos das apostas vão além das perdas financeiras. O transtorno do jogo pode estar associado a ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, perda de controle, conflitos familiares, isolamento social e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.

A pasta também relaciona o problema ao maior consumo de álcool e outras drogas. Para o governo, os efeitos atingem não apenas os apostadores, mas também familiares e pessoas próximas.

“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares”, afirmou Alexandre Padilha.

O ministro também destacou que o Meu SUS Digital disponibiliza um autoteste para que a população avalie os impactos das apostas na própria vida. A plataforma pode direcionar usuários para atendimento em saúde mental quando necessário.

Busca ativa por pessoas com vício em bets

O governo pretende ampliar a identificação de pessoas que apresentam sinais de comportamento problemático relacionado às apostas. A estratégia inclui atendimento remoto e acompanhamento pela rede pública de saúde.

De acordo com Padilha, o objetivo é alcançar também pessoas que não procuram espontaneamente os serviços de saúde. O atendimento pode envolver psicólogos e psiquiatras, além de encaminhamento para a rede presencial, incluindo unidades de saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

O Ministério da Saúde também disponibiliza uma plataforma de autoexclusão, que permite ao usuário solicitar o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.

Apostas estão associadas a problemas de saúde mental

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, conforme referência da Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira aparece como o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.

O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas em situação socioeconômica vulnerável e 150% maior entre jogadores online.

Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Desse total, 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo considerado de risco ou problemático.

Custo das bets para a saúde chega a R$ 30,6 bilhões

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos de azar e às apostas no Brasil.

Desse total, R$ 30,6 bilhões, quase 79%, estão relacionados à saúde. O cálculo inclui impactos como suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

Apostas online também atingem adolescentes

A exposição às apostas começa cedo. Uma pesquisa realizada em 191 escolas brasileiras, com 1.912 estudantes, mostrou que 20,4% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmaram já ter feito apostas online.

O percentual chega a 49,7% entre os estudantes do 3º ano do ensino médio. O levantamento também identificou que o contato com as bets pode começar aos 11 anos.

Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% afirmaram não ter procurado ajuda por vergonha. Já entre mulheres que não apostam, 12% relataram impactos provocados pelo jogo de familiares.

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